Acordou com aquele gosto de dormido na boca. É, gosto de dormido, quando você dorme com a boca aberta, baba, a baba seca e você baba de novo. Acorda cheia de sede. Vai ao banheiro, sempre na dúvida se primeiro lava a boca ou mija. Senta na privada, abaixa a cabeça encostando nos joelhos e começa a pensar na vida e no dia que vai ter que levar. Dá a descarga, abre a torneira e ensaboa as mãos lentamente. Joga um bocado de água na boca e faz um bochecho. Cospe. Joga mais um bocado de água e faz um gargarejo. Pra completar o ritual do banheiro, joga uma água no rosto, esfrega o canto do olho ao lado no nariz pra tirar a remela e se seca com rispidez. Vai até a cozinha, pega um copo de vidro e abre a geladeira. Pega a garrafa d'água e enche o copo até a metade. Meio cheio ou meio vazio? Balança a cabeça. Deixa pra lá. Pega um pacote, está escrito ORAP 4 mg, toma um comprimido inteiro. Pega o outro pacote, Assert, cloridrato de sertralina 50 mg, engole dois. Mas hoje o dia está diferente. Está ensolarado, mas ofuscado. Ela pega a chave, abre a gaveta da mesa do escritório e pega a caixa com uma tarja preta: alprazolam 0,25 mg. Fecha os olhos. Foda-se, pensa. Engole quatro.
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